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    Inadimplência de carros dobra em 2011

    Seg, 20 de Fevereiro de 2012, 14h26min

    A inadimplência no mercado de automóveis cresceu em Santa Catarina no ano passado. O número de registros de revendedoras de carros zero no SPC aumentou 7,1% em dezembro de 2011 sobre o mesmo período de 2010 no Estado. No Brasil, a taxa de inadimplência no setor fechou o ano passado em 5%, o dobro do registrado em dezembro de 2010, de 2,5%, e o mais alto desde agosto de 2009.


    Os fatores que mais desmotivaram os brasileiros a pagarem as parcelas do carro, no ano passado, foram a inflação, que atingiu a taxa histórica de 6,5%, a mais alta desde 2004, e a falta de planejamento das finanças pessoais.

     

    Com base no crescimento das vendas de carros zero no Estado, em 2011, que ficou quatro pontos percentuais acima da média nacional, o diretor-executivo da Federação dos Distribuidores em Santa Catarina (Fenabrave), André Andreazza, analisa:

     

    - O aumento significativo das vendas reflete um relaxamento da análise do crédito, que tem um risco embutido, o do aumento da taxa de inadimplência. O que estamos vendo, hoje, no Brasil e em Santa Catarina, é a confirmação deste risco.

     

    E, no ano passado, as facilidades de pagamento no mercado de automóveis vieram acompanhadas do aumento do consumo, e da explosão dos preços. Para Andreazza, os consumidores compraram o carro, movidos pelo incentivo ao crédito, sem pensar nos outras despesas que um automóvel acarreta, como gastos com o IPVA, manutenção e combustível. Para completar, a inflação apertou o orçamento mensal.

     

    — A prestação é fixa, não muda, mas o consumidor não estava preparado para o aumento dos preços — reforça o presidente da Federação das Câmeras de Dirigentes Lojistas do Estado (FDCL/SC), Sérgio Medeiros.

     

    Em Santa Catarina, Medeiros acrescenta duas razões, específicas do Estado, para o aumento da inadimplência no ano passado. A primeira é em decorrência das chuvas no Alto Vale do Itajaí, quando os moradores da região tiveram perda significativa de bens. Depois, o preço dos carros usados, que segundo o presidente da FCDL/SC, é em torno de 10% mais alto do que o valor médio nacional.

    — O consumidor entende que comprar um carro usado, aqui em SC, não vale a pena, até porque as condições de pagamento do carro novo costumam ser melhores. A diferença desta escolha, que pode ser de R$ 10 mil a mais por carro, não parece muito, mas pesa no valor total a ser pago para o setor, e impulsiona a inadimplência — analisa.

     

    DC

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